quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"Poliflóta"

Estou eu aqui de volta. Desde cedo vi minha irmã aprendendo línguas, inglês para ser mais preciso, e dando aulas particulares. Confesso até que, quando eu comecei a estudar e principalmente em razão da história que vou contar agora, até eu mesmo tive aulas com ela.
Toda preparação para provas era ela que estudava comigo o que particularmente me garantiu muitos 10,0 diga-se de passagem, não que eu fosse mau aluno, mas sim porque demorou algum tempo a eu dar a devida importância a este aprendizado.
Quando estava na quinta série aproveitei-me muito do fato de ter uma prima um ano mais nova para ir nas festas da sua turma de colégio e conhecer suas amigas. É público e notório que rapazes mais velhos fazem sucesso com meninas mais novas e apesar de não ser bem sucedido com as garotas da minha turma em razão da mesma idade, isso era facilmente compensando ao sair com minha prima.
Foi numa destas festas que tudo mudou. Ao longo da festa conversei com alguns amigos até que lá para o final da noite comecei a conversar com uma amiga da minha prima que era muito interessante e particularmente bonita.
Apenas uma nota, apesar de fazer referência a aparência física quero apenas relatar que não gosto de mulher burra, sendo que tornar-se interessante para mim é atrair a minha atenção em todos os sentidos, principalmente sendo uma pessoa que tenha algo a me dizer e acrescentar.
Nos idos da década de 80 (é isso mesmo) , era muito normal que a partir da meia-noite, rolasse a hora "mela cueca" , momento no qual tocava direto várias músicas lentas (Knife, Drive, Total Eclipse of the Heart, Purple Rain, Save a Prayer, entre outras). Esse era o momento chave, hora de convidar aquela garota interessante e não muito raramente levar alguns "tocos", hehehe.
Mas como havia dito, neste dia estava com esta menina e então isto não seria um problema, já tinha meu par e nada de "toco". Antes de começar a parte de músicas lentas tocou, me lembro como se fosse hoje, Sexual Healing do Marvin Gaye, música que eu adoro e que era presença certa em todas as festas. No meio do refrão, " Get up, Get up, Get up, Let's make love tonight, wake up, wake up, wake up, Cause you do it right..." , minha companheira soprou no meu ouvido a seguinte frase que jamais esquecerei: "O que você acha disso ?" . Eu, no auge de minha ignorância, ingenuidade e com toda sinceridade respondi a verdade: "Não sei." Uma vez que não sabia uma palavra de inglês vai saber o que o homem tava dizendo, preferi não arriscar.
Assim, logo depois da resposta ela me disse: "Pense então e depois me responde." . Só posso dizer que estou até hoje procurando por ela para responder...he hehe....santa ignorância. Chegando em casa perguntei a minha irmã que me explicou o significado do refrão e nem preciso dizer que na segunda-feira seguinte adicionei duas coisas em minha vida: Classes de inglês na Cultura Inglesa do Jardim Botânico e um gosto por entender o sentido das letras das músicas. Dura lição mas que serviu de grande aprendizado e que me é útil até hoje.
Hoje posso dizer que domino relativamente 3 idiomas (além do meu, inglês e espanhol) e estou aprendendo um quarto, Árabe, ainda que seja difícil e de lento aprendizado.

Um verdadeiro "poliflóta" como diria Silas Simplesmente.

Um comentário:

  1. Ouvi muito esse "causo"..rsrsr..Lições pra toda a vida...pra toda a vida...

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