segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Lição de Humildade


Antes de escrever este post, que está pronto em minha mente faz umas boas semanas, gostaria de desejar a todos um Feliz 2013 e que todos os sonhos e planos se realizem. Eu tive uma virada de ano muito agradável, na casa de meu cumpadre em Copacabana, ao redor de pessoas queridas e este ano, como não choveu, fomos presenteados com um festival de fogos maravilhoso.

Meu ano começou e continua exatamente como planejei: Com a solução de todos assuntos que estavam pendentes e que, direta ou indiretamente, nos impedem de prosseguir nossa jornada. Claro que nem todos acontecimentos tiveram o desfecho que desejava, mas assim é a vida, cheia de surpresas que sempre acabam, de uma forma ou de outra, nos levando numa boa direção. Dito tudo isto, vamos ao post.

Creio que nos últimos anos tenho ocupado cargos de liderença com maior ou menor complexidade e cada vez mais realizo o quanto é importante entender uma máxima da vida e que deveria nos impedir de perder a humildade: Na vida a gente não é, a gente está. O aspecto transitório e efêmero do poder e status deveria servir de norte para que percebessemos o mundo ao nosso redor. Penso que evolui muito ao longo dos anos, mas estou certo de que ainda tenho muito a aprender.

Na vida, todos nós temos momentos que são divisores de água, que nos definem, que nos fazem reavaliar conceitos, prioridades e valores, que nos marcam e mudam quem somos e o que somos para sempre. O meu momento ocorreu no período que estive a trabalho na Colômbia entre setembro de 1998 e fevereiro de 1999.

Naquela época, trabalhava em um projeto que fazia com que tivesse contato direto com todas as gerências da Obra e que eram responsáveis por todas a decisões relevantes. Com isso, constantemente estava entrando e saindo de todos os departamentos em busca de informações e tomadas de decisão. Lembro-me, como se fosse hoje, que entrava e dava Bom Dia ou Boa Tarde a todos e em seguida entrava na sala do Gerente e com isso, tinha para mim que cumpria meu dever ser educado e respeitoso com todos.

Mas a vida nos ensina que existe um abismo entre o que pensamos e o que realmente acontece ao nosso redor e finalmente numa festa de celebração, de alguma meta atingida, tive uma lição que mudou completamente minha forma de ver as coisas. Um integrante, de uma das gerências, chegou perto de mim e movido por alguma coragem me abordou e me pediu para conversar. O desabafo dele, que segue abaixo, mudou, muito, minha percepção do impacto que temos na vida das pessoas.

Integrante: Eu queria te dizer uma coisa, gosto tanto de você e você passa todos os dias pela nossa sala, antes de entrar na gerência, e tudo que eu queria é que você parasse e me desse um "Bom Dia". Por que você não pode parar e me dar um "Bom Dia" ?

Até hoje esta conversa mexe comigo. Nunca tinha imaginado o impacto que temos na vida das pessoas, como temos o poder de influenciar seus sentimentos, o que me trouxe a mente a frase do livro "O Pequeno Príncipe": Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Fiquei envergonhado de mim mesmo porque o que aquele rapaz queria era tão pouco, tão fácil de realizar, tão simples e trivial e eu simplesmente não tinha visto.

Interessante, que num mundo onde as pessoas estão mais preocupadas como status, dinheiro, poder, uma bela viagem ao exterior, tudo que faria do mundo daquele rapaz mais feliz, era um pouco mais de atenção. Esta foi uma lição que jamais esqueci e que procuro praticar sempre, que é ter tempo, ou melhor, dedicar tempo para as pessoas. Mesmo a moça do café, o rapaz da portaria, o office boy ou até o presidente de uma empresa devem e merecem a devida atenção.

Todos precisam se sentir parte do processo, relevantes e valorizados. Não preciso dizer que após aquela conversa revi muitos dos meus conceitos e procurei mudar meu comportamento não só naquela obra, como também ao longo da vida. Aquele rapaz, que se tornou meu amigo, me ensinou uma  lição que mudou a minha vida.

É obrigação de todo aquele que pretende ser líder um dia, entender, acima de tudo, a necessidade dos outros antes da sua. Só assim, pode-se moldar uma relação baseada em respeito, cumplicidade e admiração.

sábado, 17 de novembro de 2012

Que tipo de ovos você gosta?

"
You're so lost, you don't even know what kind of eggs you like.
- Yes. Yes! - What?
That's right. 
With the priest, you wanted scrambled.
With the Dead Head, it was fried.
With the bug guy, it was poached.
Now it's like, "Oh, egg whites only. Thank you very much.
" Noiva em Fuga

Onde muitos pensam apenas no filme, eu penso nas mensagens. A maioria dos textos e filmes possuem, se você realmente se interessar, inúmeras pequenas lições de vida. As citações de hoje são do filme "Noiva em Fuga" com a Julia Roberts e Richard Gere e refletem um tema interessante na vida: incapacidade de decidir, paralisado pela dúvida, na expectativa de agradar todo mundo.

Penso que todos nós já vivemos o dilema de equacionar diversas situações, buscando que todos ficassem satisfeitos. Esse é o problema, quando fazemos isso acabamos não agradando a ninguém, principalmente a nós mesmos. O que fazer então?

Escolhas nunca são fáceis. Sempre reside o medo de se arrepender do julgamento, de atrapalhar alguma coisa em nossa vida ou simplesmente de sairmos de nossa zona de conforto. Creio que a maioria das pessoas acabam não vivendo, transitam pela vida, porque tem medo de ousar, ou melhor dizendo, tem medo de ser feliz.

Veja, eu não estou dizendo que ousar é fazer algo, muito pelo contrário, muitas vezes ousar é decidir que não se quer algo e assumir para si mesmo que esta é a escolha desejada. As pessoas, normalmente, se perguntam: E se eu estiver errado? Simples, siga em frente, aprenda com suas escolhas e na próxima experiência quando for decidir, dedique o tempo devido para chegar a sua conclusão.

Creio que o maior pecado, é permanecer em sua zona de conforto, cego para o que se apresenta ao seu redor, pensando que o mundo não continua em movimento e as coisas vão permanecer como estão, porque não vão. Eu, costumo demorar a tomar minhas decisões, aprendi a fazer isso, ao longo dos anos, para ter certeza que uma vez decidido não teria que rever minha posição. 

Mas o mais importante, acima de tudo, é saber do que se gosta e o que de fato se quer. Recomendo que não se navegue por mares tortuosos, onde só se descobre o que deseja e precisa, quando não se pode mais ter. Muitos escolhem esta forma de aprendizado, eu já prefiro não ter de passar por tamanha emoção.

Quanto aos ovos, Eu gosto de fritos ou mexidos, e você ?

"
Maggie Carpenter: Benedict.
Maggie Carpenter:
I love Eggs Benedict, I hate every other kind. I hate big weddings with everybody staring. I'd like to get married on a weekday while everybody's at work. And when I ride off into the sunset, I want my own horse. " Noiva em Fuga

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Can you take me Higher?


"
Can you take me Higher?
To a place where blind men see
Can you take me Higher?
To a place with golden streets
" Higher - Creed

Bem, estou de volta. Creio que muita coisa aconteceu e ainda está para acontecer na minha vida até o final deste ano. Meu mundo, realmente, não é mais o mesmo e confesso que isso é bom. A dor inevitavelmente mostra que estamos vivos e nos ensina, se estivermos dispostos a ouvir.

Meu pai faleceu em julho deste ano e confesso que além de inesperado, foi doloroso. É muito duro perder de uma hora para outra aqueles que amamos e que de forma pura e altruísta nos amam também. Além de um homem de moral ilibada, culto, sensível, foi um excelente pai, marido e amigo. Sim, meu pai foi, talvez, o meu melhor amigo, conselheiro, mentor, enfim uma perda irreparável.

Mas ele sempre me ensinou, como pessoa plenamente espiritualizada que era, que todos temos nossos ciclos, ou como ele mesmo dizia, nossos resgates espirituais. Dito isso, não gostaria que estivesse me lamuriando porque, na verdade, penso que macularia sua memória, já que sua vida foi recheada de realizações e superações, sintetizado no cumprimento do ciclo da vida: Plantou sua árvore, escreveu um livro e teve filhos.

Se há uma coisa que sempre admirei nele é que sempre foi sincero em suas opiniões. Isso não quer dizer que concordássemos sempre, muito pelo contrário, diria que em certos tópicos discordávamos bastante, mas sempre respeitou minhas decisões e mesmo quando o tempo mostrava que eu estava errado, sempre tive nele um ombro amigo. 

Talvez, seja por isso que esteja escrevendo este post de hoje, creio que se estivesse conversando com ele sobre o que se passa neste momento em minha cabeça ele diria : "Meu filho, resgate até onde der e depois siga em frente, mas seja como for, preste atenção nos detalhes, porque eles nos mostram muito". Creio que tenho prestado pouca atenção neles ou simplesmente não queira admitir que estão lá.

Seja como for, algumas mudanças, como disse, ocorrerão inevitavelmente nos meses que estão por vir e espero usar de toda minha percepção para saber como decidir quando o momento chegar. Por mais duro que este ano tenha sido, não posso negar que me trouxe agradáveis surpresas, seja profissionalmente, seja no plano pessoal, reforçando o ciclo natural da vida de constante renovação.

Escolhi como citação de hoje uma canção do Creed. O vocalista da banda tem um tom de voz igual ao do vocalista do Pearl Jam e quando conheci a banda foi exatamente porque confundi quem estava cantando. Bom, o importante é que esta música é muito bonita e apropriada para o momento que estou passando. No caso dos meus pais, diria que a pergunta do post já foi respondida há mais de 40 anos. Quanto a mim, continuo esperando encontrar a resposta.

Obrigado, meu pai, agradeço pelo homem que me fez ser hoje. 

Ouçam a canção, vale a pena. Até o próximo post.

"
The only difference is
To let love replace all our hate
...
Up high I feel like I'm alive for the very first time
Still up high I'm strong enough to take these dreams
And make them mine
Higher - Creed

terça-feira, 2 de outubro de 2012

E quando bate a saudade ?


"
Doctor Marcia Fieldstone:   Tell me what was so special about your wife?
Sam Baldwin:                     Well, how long is your program?
                                          Well, it was a million tiny little things that, when you added them all up, they meant we were supposed to be together... and I knew it. I knew it the very first time I touched her. It was like coming home... only to no home I'd ever known... I was just taking her hand to help her out of a car and I knew. It was like... magic.
" Sintonia do Amor

Uma vez me perguntaram quando você sabe que está com a pessoa certa? Como sabe que esta pessoa é que te faz ser melhor, que faz teus dias mais bonitos, que auxilia teus sonhos a se concretizarem e traz um novo sentido a tua vida? Quando você sabe que está realmente pronto para um relacionamento ?

Tive que me remeter a minha fase adolescente, mais exatamente 1993, para buscar esta resposta. Revendo o filme "Sintonia do Amor" com ninguém menos do que Meg Ryan e Tom Hanks, me deparei com a citação acima que sintetiza com perfeição cirúrgica a questão.

Lembro-me que este filme causou lágrimas e muitos suspiros na época. Esta conversa, que ocorre num talk show no rádio, ficou marcada como uma das mais românticas declarações de Amor. Sam cuja mulher faleceu não consegue superar a perda do amor de sua vida e seu filho, preocupado, pede auxílio a uma terapeuta de um famoso programa.

Mais do que a comoção causada pela declaração, a repercussão em todos os EUA é enorme porque muitas mulheres passam a querer sair com Sam. Entre elas, é claro, a personagem de Meg Ryan que vive um relacionamento monótono, mas seguro e está em vias de dar o próximo passo para torná-lo ainda mais sério.

Não preciso me alongar e dizer que, como toda boa comédia romântica da época, após uma série de contratempos Tom Hanks e Meg Ryan terminam juntos após se encontrarem no topo do Empire State Building em Nova York. Sempre acreditei nessas comédias românticas, na essência de encontrar aquela pessoa perfeita e que é atraída para perto de nós das mais inusitadas formas, até mesmo numa casa de tango em plena comemoração da virada do ano.

Mas o tema de hoje, E quando bate a saudade, tem a ver com o que acontece depois do encontro, depois que, passado os primeiros meses de relacionamento advém ou não a rotina. Estava assistindo este fim de semana uma passagem do filme "O espelho tem duas faces" com Barbara Streisand em que ela é uma professora que filosofa sobre a essência do relacionamento, sobre o prazer de se estar emocionalmente envolvido e também como é revigorante estar apaixonado, mesmo que saibamos que tudo isso possa terminar algum dia.

O estranho neste filme é que ela resolve estabelecer uma relação platônica com outro professor, papel este de Jeff Bridges, que tendo passado por vários relacionamentos com mulheres bonitas e fúteis, decide que prefere ter uma relação pautada no equilíbrio intelectual e financeiro, onde o sexo estando fora da equação descomplicaria tudo.

Mas este é o ponto. Não descomplica. A essência de duas pessoas não se limita a equilíbrio intelectual e financeiro, isto serve para relações de trabalho e/ou de amizade tão-somente. Creio que a variável afetiva baseada em carinho, atenção e respeito, carece também do contato físico. Não me veria com uma pessoa se tivesse que limitar algum dos meus elementos sensoriais.

O final deste filme, como toda boa história romântica, é que os dois terminam juntos explorando toda a potencialidade do relacionamento e enxergando que uma relação pautada em coisas em comum, transformou-se numa oportunidade dos dois se permitirem Amar.

A saudade, a que me referi no título, resume-se no compartilhamento das pequenas coisas como um telefonema de "Bom Dia" ou ligar somente para dizer que estava com vontade de ouvir a voz do outro. A rotina que mina os relacionamentos, não é necessariamente pelo tempo que os casais estão juntos mas muitas vezes pela própria dinâmica de nosso dia a dia que sendo cheia de atribulações acaba ocupando nossa mente e mudando nossos hábitos.

E quando bate a saudade? Quando bate a saudade, pegue o telefone, ao invés de esperar que o outro faça, mande flores, cartas, um bilhete (ainda que seja num papel de pão) dizendo que está sentindo falta. Não espere só do outro que exista o estímulo da relação pois, cabe também a você mostrar que estes pequenos mimos fazem falta ao dois.

Se você acredita na sua relação, se acha que ela realmente vale a pena, transforme sua saudade em ação e impeça que caia na rotina.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Dark Knight

"
James Gordon Jr.: Why's he running, Dad?
Lt. James Gordon: Because we have to chase him.
James Gordon Jr.: He didn't do anything wrong.
Lt. James Gordon: Because he's the hero Gotham deserves,
                             but not the one it needs right now. So we'll hunt him.
                             Because he can take it. Because he's not our hero.
                             He's a silent guardian, a watchful protector.
                             A dark knight. " Dark Knight

Um dia  me perguntaram o porquê de habitualmente colocar citações em meus textos e se isso possui algum significado. A resposta é simples: Muitas vezes a citação é o norte do texto e claramente me direciona para a escrita mais correta e apropriada do tema a ser abordado.

As de hoje, retiradas do filme Cavaleiro das Trevas, abordam um princípio que procuro seguir e passar como referência àqueles que convivem comigo seja como amigo, seja como profissional. Ele anda perdido, está sendo usado de forma inadequada e é usado por muitos, apenas em aparência, para vender uma falsa imagem de retidão. Chama-se coerência.

Coerência é o exercício contínuo da prática de se fazer o que se fala, demonstrando que honra, valores morais e ética são elementos obrigatórios na condução da vida de cada ser humano. O interessante desta abordagem é que ser coerente traça uma linha com outra característica igualmente relevante: fazer o que é certo.

Creio que isso acaba nos levando a um dilema dos tempos modernos. Fazer o que é justo, fazer o que é certo ou apenas atuar e "sair bem na foto"? Lembro-me de um filme que assisti há muitos anos e que é baseado numa peça de teatro inglesa. Cadete Winslow tem a citação abaixo que acho impactante e cuja conduta referenciada procuro seguir:
"
Sir Robert Morton: I wept today because right had been done. 
Catherine Winslow: Not justice?
Sir Robert Morton: No, not justice. Right. 

                               Easy to do justice
.                              Very hard to do right." The Winslow boy

Este texto do post de hoje (na verdade do dia 25/07 e que foi interrompido pelas fatalidades que muitas vezes a vida nos reserva) parece um presságio do que viria a acontecer semanas mais tarde, provando, mais uma vez, que aquilo que molda de verdade um homem, é sua capacidade de analisar cada situação e habilidade de decidir baseado no que importa para o bem comum, o todo, e não apenas baseado no que, em tese, satisfaria seu ego, em outras palavras, o exercício, pleno, de sua capacidade de resiliência.

"Tolerar o tolerável é fácil, meu filho, difícil é tolerar o intolerável". Meu pai costumava me dizer isso quando eu reclamava de alguma situação adversa ou na qual me sentisse injustiçado. Ele, pessoa elevadíssima espiritualmente, sabia melhor que eu que a vida nos traz provações que devemos suportar e superar na certeza de nos tornamos pessoas melhores para os outros e para nós mesmos.

Seja como for, tenho percebido, ao longo dos anos que algumas pessoas tem seu destino traçado, necessariamente, para se confrontar com as mais adversas situações e a resposta simples para isso é: Porque elas podem, porque elas aguentam. Tenho para mim, assim como citou Don Vito Corleone, que: "Cada pessoa tem apenas um destino" e que não adianta fugir dele, é necessário se preparar e se moldar para abraçá-lo.

No saldo final, devemos buscar o nosso equilíbrio e também o equilíbrio com nosso entorno, na busca não do reconhecimento e aceitação incondicional, posto que isto é impossível, mas na busca da harmonização de nossas vidas.

"
You either die a hero
or you live long enough to see yourself become the villain
" Harvey Dent

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O brilho de cada um

"
Srta. Bertrand : Eu o segui. Queria agradecer.  
Pignon            : Não tem por quê.
Srta. Bertrand : E pedir desculpas.
Pignon            : Por quê?
Srta. Bertrand : Nesses 6 anos, eu o vi como alguém, sem graça, 
                          sem coragem, sem nada.
Pignon            : Não se desculpe, todos pensavam assim.
Srta. Bertrand : Um dia, aparece numa foto, de bunda de fora, com um gay.
                        Alguns se surpreenderam, outros riram, e eu pensei:
                        "O safado deu um jeito de manter o emprego".
Pignon            :  E você tinha razão.
Srta. Bertrand : Não, eu estava enganada.
                        Foi esperteza talvez, mas você não é sem graça.
                        Você é uma pessoa legal.
                        Convencê-lo seria uma maneira de agradecer.
" O Closet 

A primeira vez que assisti a comédia francesa "O Closet" fiquei surpreso com a história e ao mesmo tempo contente. Era uma das primeiras vezes que uma história abordava de uma forma tão clara e contundente a maneira como o ser humano se enxerga e mostrava como esta análise influencia completamente como os outros passam a te ver.

Todos nós temos um brilho interior. Se ele é mais forte ou mais fraco, se ofusca o brilho dos outros ou se é tão intenso que incomoda aos invejosos de plantão, depende exclusivamente de nós. Creio que algumas pessoas por medo ou até por desconhecimento renegam o seu direito sagrado e porque não dizer, dom natural de brilhar.

Uma vez me perguntaram o que vejo em uma pessoa que me atrai. Seja apenas amizade ou uma paixão, o que me chama atenção é a energia e o brilho interior. Tenho um olho clínico, digo isso sem falsa modéstia, para perceber quem vale a pena e posso afirmar que através do olhar posso enxergar a alma e por isso consigo no "arriar das malas" dizer se uma pessoa é especial ou não.

Mas infelizmente este processo de autoestima e amor próprio é um processo solitário e que independe de elogios e de você exaltar as virtudes de uma pessoa. Existe um processo de catarse que muitas vezes é lento e que somente quando atinge o nível certo de maturação é que possibilita o processo de mudança.

Minha mãe costumava me dizer que se nós não gostarmos e valorizarmos a nós mesmos é improvável que alguém nos admire, respeite e consequentemente nos ame. Sábia como sempre, seu diagnóstco é perfeito e retrata a realidade e traduz a necessidade de exercitarmos todos os dias, nossas virtudes e pontos fortes e trabalharmos nossos pontos fracos, de forma a apararmos as arestas em busca de nosso equilíbrio interior.

E creio que assim deveriamos conduzir a vida: Buscando extrair de cada um que nos rodeia o que há de melhor, ajudando a melhorar, evoluir, ser mais feliz e cheio de vida, do que desperdiçar o tempo apontando defeitos e criticando, quando sabemos que todos precisamos melhorar e nos aprimorar sempre.

A foto do post de hoje foi tirada no Magic Kingdom em Orlando. Lá, um mundo de fantasia, onde todos nós voltamos a ser crianças pude perceber como, quando as pessoas se unem num propósito comum, cria-se uma onda positiva de energia que nos contagia. O momento registrado é exatamente o momento da chuva de fogos que basicamente encerra as atividades do dia.

Poderia dizer que o brilho que clareou o céu foi o mesmo que iluminou cada um de nossos corações. Deveriamos viver este tipo de momento e experimentar esta energia intensa não num reino encantado, mas em todos os nossos dias.

Tão certa quanto esta análise é o fato que existem pessoas com quem nos relacionamos que tem a capacidade de extrair o melhor de uma pessoa e outras, por incrível que pareça, o que há de pior. Sérgio mallandro bem definiria: O homem pipa e o homem âncora.

Brincadeiras a parte, a verdade é que é mais ou menos isso, ou seja, devemos nos cercar de pessoas que nos permitam potencializar tudo que há de bom, ajudando a aumentar nosso brilho. Vamos nos exercitar para nos tornarmos este tipo de pessoa. Que tal?

Até o próximo post.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

There is no spoon



" Perhaps we are asking the wrong questions" Agent Brown - Matrix

Estou de volta depois de quase um mês em silêncio e como alguns dos seguidores deste blog reclamaram do hiato, aqui estou eu novamente escrevendo sobre a vida, seja a minha ou a de qualquer outra pessoa, traduzindo em palavras, crônicas do nosso cotidiano.

Estive fora do País e finalmente conheci os Estados Unidos. Mais uma vez viajei sozinho como tem sido minha rotina nos últimos 4 anos e pude com isso refletir sobre minha vida, sobre os rumos do mundo e meu papel nisso tudo. Acho que os períodos em que passo em silêncio servem imensamente para minha reflexão e como um grande amigo mencionou, estes momentos servem, acima de tudo, para aperfeiçoar meu autoconhecimento.

Tirei a foto acima no Central Park em Nova York e quando vi a cena, não pude deixar passar a oportunidade de registrar o momento em que as crianças estavam se divertindo em cima da escultura que apresenta os personagens de Alice no País das Maravilhas.

Neste momento dois pensamentos vieram na minha mente: O primeiro, inevitavelmente, do filme Matrix sobre a cena em que Neo vai consultar o Oráculo e descobrir se é o escolhido. O segundo, muito menos complexo, tem a ver com o fato de como as crianças conseguem se divertir com pouca coisa, como são capazes de, em sua inocência, simplificar a vida, longe das mazelas e preocupações que a vida adulta nos impõe, nos afastando de nosso lado criança que eu julgo tão fundamental para se ter uma vida melhor e mais feliz.

Voltando a falar da cena de Matrix, Neo se encontra na sala de espera com um menino que está entortando uma colher apenas com a força da mente. A citação do fim do post é a exata conversa entre eles e para não me estender muito peço que leiam ao invés de repetir tudo aqui de novo. O ponto interessante desta citação é que a mensagem passada, pelo menos para mim, é de que na medida que nós aprendemos a flexibilizar nossos pensamentos, ações, gestos e atitudes, conseguimos entender melhor as coisas, nos ajustar melhor as realidades, ao invés de esperar que tudo se ajuste as nossas vontades. 

O interessante desta cena é que uma criança é quem ensina um adulto e não o contrário, ou seja, a simplicidade e as simplificações que só as crianças são capazes de fazer, isentas de vícios, vaidades e preconceitos é que permitem moldar as situações e achar uma forma mais maleável para se lidar com o mundo. Por isso, julgo tão importante mantermos sempre o espírito de criança dentro de nós e procurar nunca perder esta referência.

E para terminar uma reflexão importante sobre a vida: Como obter as respostas certas, se fizermos as perguntas erradas? Mais difícil do que esgotar este assunto é admitir nossa incapacidade de querer enfrentar a realidade dos fatos ou a dureza das decisões. Tudo na vida se inicia com um primeiro passo e isso é mais ou menos como andar numa montanha russa, feito o primeiro movimento a Física se encarregará do resto e os demais passos ocorrerão de forma natural.

Olhando esta foto e refletindo sobre tudo que posso aprender, fica para mim o desejo e exercício de simplificar as coisas e com isso me tornar ainda mais maleável. Talvez esse seja um exercício que todos nós devamos fazer e se for muito difícil basta observar novamente como se portam as crianças e aprender com elas.
"
Spoon boy: Do not try and bend the spoon. 
                   That's impossible. Instead... only try to realize the truth.
Neo:           What truth?
Spoon boy: There is no spoon.
Neo:            There is no spoon?
Spoon boy: Then you'll see, that it is not the spoon that bends, 
                   it is only yourself.                                                          " Matrix