terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Valentine's day


"
Remembering you
standing quiet in the rain
as I ran to your heart to be near
and we kissed as the sky fell in holding you close
how I always held close in your fear
....
There was nothing in the world
that I ever wanted more
than to feel you deep in my heart.
" Pictures of You - The Cure

Como todos os anos, nesta mesma data, comemoramos o "Valentine's day". Para muitos dia dos Namorados e para outros dia do amigo. Seja como for, como havia dito, em um dos meus últimos posts, meu mundo já não é mais o mesmo, como a cada amanhecer a vida se renova, repleta de novidades, surpresas e descobertas.

Agora , neste exato momento, estou um oceano distante de onde reside meu coração, de onde está a razão dos meus sorrisos, da minha insônia, de minhas certezas e de todas as incertezas que um amor pode oferecer. Já havia até me esquecido como é ter alguém, que apesar de todas as intempéries que o mundo nos impõe, faz todos os dias, sem exceção, seu coração sorrir.

Realmente tudo está modificado, para melhor é claro, há quase 1 ano atrás estava embarcando para a Croácia para dias depois ser surpreendindo com uma evacuação da Líbia que viria a ocorrer em 24/02 (parece que foi ontem). Meu destino, ou seja,  aquilo que construimos adicionado com o que a vida, através do seu balé cósmico nos reserva, girou 180 graus me fazendo rever todos conceitos, valores e expectativas.

Óbvio que não perdi o controle sobre meus objetivos, só me ajustei, como diariamente a vida nos faz decidir, direta ou indiretamente, é claro. Mas meu caminho é um só e isso só fez com que experimentasse novas estradas, novos caminhos, novos mares revoltos e bravios, até onde me coração e meus sentidos encontrassem um porto seguro. E como sempre, a vida aponta para onde marcha seu destino, pois no lugar e momento mais improváveis é que isso ocorreu, ou seja, em plena virada de ano, onde se define, pelo menos assim acredito, como será nosso próximo ciclo: Renovado ou apenas uma sequência da rotina do dia a dia. Felizmente, para mim, meu ano está fadado a se renovar....

Logo, logo, estarei de volta, eu sei e espero que entenda que nossos planejamentos, às vezes, não ocorrem da forma com a qual gostariamos. Mas de fato, apesar de toda licença poética já utilizada ao longo deste texto, quero que saiba que não está distante em realidade. Há em meu coração um pequeno relicário, aquele pequeno lugar onde renovo meus votos a cada manhã. Você está em minha vida, meus pensamentos e até mesmo meus textos, basta só prestar atenção....

"
Sometimes you make me feel
Like I'm living at the edge of the world
Like I'm living at the edge of the world
"It's just the way I smile"
You said
" Plainsong - The Cure

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O estranho mundo das coisas


" 
Dar solamente, aquello que te sobra
Nunca fue compartir, sino dar limosna amor
Si no lo sabes tú, te lo digo yo" Corazon Partio - Alejandro Sanz

Outro dia me perguntaram: Por que mesmo sendo uma pessoa boa que faz tudo pelo seu parceiro(a), é trabalhador(a), esforçado(a), de boa familia, não é bem tratado(a) e ainda é traído(o)? Apesar de não querer fazer do meu blog um consultório amoroso gostaria hoje de elaborar este tema e propor, longe de mim ser dono da verdade, algumas hipóteses que explicam este fenômeno.

Para começar vou citar um diálogo do filme os imperdoáveis com Clint Eastwood:

Little Bill Daggett: I don't deserve this... to die like this. I was building a house.
Will Munny: Deserve's got nothin' to do with it.
[aims gun]
Little Bill Daggett: I'll see you in hell, William Munny.
Will Munny: Yeah. 

Por mais cruel que seja ou prático se você preferir, a resposta a pergunta que me fizeram é simples: Merecer não tem nada a ver com isso. O fato reside na realidade de que as pessoas valorizam de forma diferente as coisas e fora isso, existem ainda os fantamas que tentamos exorcizar ao longo de nossas vidas.

Certas pessoas clamam que querem uma pessoa exatamente como a descrita acima e quando a encontram simplesmente não valorizam como deveria. Isso é fácil de entender, o ser humano é complexo e na maioria das vezes não sabe o que quer. Se soubesse ao menos o que não quer, já facilitaria muito sua própria vida.

Mas se a vida fosse fácil e tudo fizesse perfeito sentido este blogueiro não teria mais função, eu imagino. Creio que o conflito que hoje abordo possui na verdade uma culpa recícproca dos parceiros, pois veja, poucas coisas na vida, pelo menos em termos de relacionamento, acontecem sem nosso consentimento.

Weber, um famoso sociólogo, já afirmava que numa relação de dominação, existe sempre duas figuras, o Dominador e o Dominado, e que sem o consentimento de ambos, torna-se impossível que esta relação se estabeleça. Portanto, a resposta precisa não pode ser dada a não ser pela mesma pessoa que levantou a pergunta.

O fato de uma coisa não fazer nenhum sentido e funcionar ou simplesmente fazer todo sentido e não acontecer é o que torna, no entanto, a vida tão desafiadora e interessante. Quando escolhi o nome deste blog, apesar de não ter exatamente isso em mente, foi no fundo neste sentido, porque é a ilógica lógica da vida, a incerteza de que as coisas saiam exatamente como planejamos é que nos motiva buscar crescer, viver e experimentar. Pior do que sofrer é olhar para trás no fim da vida e perceber que não viveu.

"
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão 

nunca vai ter nada, não" Como dizia o poeta - Vinicius de Moraes

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Free, Free, set them Free


If you need somebody, call my name
 If  want someone, you can do the same
 If you want keep something precious,
 you got lock it up and throw  away the key
 If you want to hold onto your possession,
 don’t even think about me

 If love somebody, if you love someone
 If love somebody, if you love someone set them free”  Sting

Alguns textos parecem que nascem prontos. Este fim de semana estava ouvindo o Nando Reis falar exatamente sobre isso quando explicava como compôs a música Resposta com Samuel Rosa do Skank.

Nando explicava que ao receber a melodia estava empacado criativamente e ao ouvir os arranjos compôs a letra quase que imediatamente como se já estivesse pronta. O post de hoje tem duas citações especiais, a primeira acima uma canção do Sting que eu adoro. Aliás desde seu trabalho no The Police que acompanho cada um de seus CDs e continuo a gostar dele como no início de sua carreira.

O segundo é uma citação do John Lennon que minha mãe mandou. Ao lê-la, ela se lembrou que gosto de compor cada post com uma ou mais citações que contextualizam a mensagem que desejo passar. No caso de hoje, uma completa a outra mantendo-se em perfeita harmonia.

 A vida nos reserva gratas surpresas e quando nós menos esperamos elas nos arrebatam, sacodem nosso mundo e modificam a forma com qual enxergamos as coisas. Alguns fenômenos se conjugam e transformam o que somos, o que sentimos e percebemos.

Meu mundo já não é o mesmo. Desde as última horas que encerravam o ano que se passou até as primeira horas do ano que se iniciava tudo estava mudado. Cheiros, gostos e percepções, tudo estava renovado e completamente determinado a jamais ser igual novamente. E isso é bom, adoro o novo e o desafio de desbravar o que está por vir, acho que todos nós deveriamos ser assim.... Feliz 2012.

Como um sonho que se materializa
De forma lenta e  sorrateira até
Você adentrou a minha vida

Arrebatando todos os meus sentidos
Trazendo um sentimento de torpor que me acalma
Como se desse um norte ao meu coração
Como um sopro de alegria em minha alma 

Rompendo mares, rios e oceanos
Desbravando novos horizontes em busca do desconhecido
Como se fora um aventureiro, sem destino
À procura de novas terras ou apenas novos desafios

Organizou meu pensamentos
Trouxe à tona novos sentimentos
Despertando também outros, há muito adormecidos

Ligou nossos mundos, conectou nossas almas
Como numa dança lenta no meio do salão
Como se só existissemos nós dois e nada mais importasse
Somente a batida rítmica e harmônica de nossos corações.

São Paulo 09/01/2012

"
Amo a Liberdade 
Por isso... deixo as coisas que eu amo livres
Se elas voltarem é porque as conquistei.
Se não voltarem é porque nunca as tive" Jonh Lennon

domingo, 8 de janeiro de 2012

Uma estória de Natal


 Eu deveria, segundo a expectativa de muitos, começar a escrever sobre o Ano Novo, afinal de contas já estamos no dia 08/01/2012 e o Natal já passou. Mas não posso começar a falar do presente, muito menos do que pressinto para meu futuro sem um último olhar para meu passado.

O Ano que passou representou, sem dúvida alguma, um turbilhão de emoções, mudanças, experiências e surpresas. Todas elas agradáveis e/ou intensas e acima de tudo necessárias. Poderia ficar horas e horas exemplificando cada pequena alegria e prazer mas a foto acima resume tudo, meu afilhado, meu querido e amado Gabriel.

Houve um tempo em que eu escrevia versos para os eventos e muitas vezes celebrações que meus pais realizavam. Em um deles, creio que próximo ao Natal, escrevi o poema abaixo que eu havia programado publicar no ano passado e que acabou, por pura negligência minha, postergado para hoje.

Tentarei, assim como fiz ano passado, retomar meus trabalhos neste blog, que começou como um passatempo e que no final, tornou-se um imenso prazer. Tenho leitores conhecidos e muitos anônimos, mas confesso, talvez até de maneira egoísta, que reler meu passado, minhas experiências, minhas aventuras tem um valor e um significado para mim. Muitos, ao longo do caminho, deixam suas pegadas desaparecerem pela areia, mas meus posts mantem, pelo menos para mim, cada uma delas em seu devido lugar. 

Vamos ao poema.

UMA ESTÓRIA DE NATAL

Aprendi uma estória de Natal
Sem renas, nem Papai Noel
Mas que tem Paz, Amor e Felicidade.

Começa Assim:
Sentei-me a mesa para a ceia
Não comi nem peru, castanha ou nozes
Somente me alimentei de vida e solidariedade

Caminhei, então, pela rua para desgastar a bela ceia
E não caminharam comigo nem ódio, nem apego ou egoísmo
Somente Fraternidade e Altruísmo.

Por fim, cansado, deitei-me, então,
No que chamam de estábulo, dentro de uma cesta
Pessoas e animais me admiravam
E apesar de feliz, não fiquei vaidoso.

Foi então que 3 homens ou Santos peregrinos
Vieram me trazer seu Amor
Pois isto é a unica coisa que dinheiro algum pode pagar.

Parti, então, em meus sonhos
Para nunca mais voltar
Assim acabou a história.

Ah!! Vocês querem saber quem eu sou ?
Sou o que chamam na Terra de MENINO JESUS
Que envia a todos uma mensagem de Paz
E que lhes deseja um Feliz Natal.

Rio de Janeiro 13/12/1987

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

In Between days


"
Do you remember, chalk hearts melting on a playground wall
Do you remember, dawn escapes from moonwashed college halls
Do you remember, the cherry blossom in the market square
Do you remember, I thought it was confetti in our hair
" Kayleigh - Marillion

Ainda lembro dos versos que eu fiz
Dos beijos que dei
De quão suave é sua pele
E do calor do seu corpo.

Ainda lembro das nossas madrugadas em claro
Do seu sorriso
Do desenho do seu rosto
Da luz do luar delineando seu corpo.

A pele macia, seu perfume, seu cheiro
Das nossas longas conversas até o amanhacer
De tudo aquilo que te torna única.

E desejaria manter estes momentos suspensos,
Pelo seu necessário tempo, até que nossos universos se alinhem
E seus sonhos sejam novamente meus.

Esperando aquele único instante
Onde a vida se simplifique
E meu mundo seja outra vez somente seu.

"
remember how it used to be
when the stars would fill the sky
remember how we used to dream
those nights would never end
those nights would never end
" To wish Impossible things - The Cure

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Tudo aquilo que nos define


"
Eu me apresento em alto e bom som,
para que todos possam ouvir.
Cara sagaz e cascudo, direto do Andaraí.
Eu vou do M para o A,para o R, para o C, para o E, para o L, para o O 

...
Revolução eu vou fazer de maneira diferente: 

tiro o ódio do coração e tento usar mais a mente.
Botam barreiras no caminho mas sou persistente. 

Posso cair, mas me levanto e sigo em frente. " Stab - Planet Hemp

Em maio de 2010, estive na terra de meus antepassados, a Polônia. Inevitavelmente como mostra a foto do post de hoje, estive em Auschwitz. A frase escrita na entrada "O trabalho liberta" impressiona, assim como o próprio local bem como sua história de dor e pelo absurdo que o ser humano pode chegar quando está cego pelas suas ambições e ideologias.

Quando decidi visitar a Polônia, lembrei-me que minha avó uma vez disse a minha mãe e tias que nossa história havia terminado na fuga durante a guerra e que não haveria mais nada a fazer por lá. Sem querer ser desrespeitoso ou teimoso, como queiram, tive de discordar e ir em busca daquilo que compõe quem sou hoje e da própria origem do meu nome.

GRYNBERG, parte de meu sobrenome de origem polonesa, significa Monte Verde em português. Se pensar que, por parte de pai, meu sobrenome é MATOS, perceberemos a similaridade existente entre ambos o que demonstra, evidentemente, que o acaso não existe. Acredito que, na vida, para sabermos onde queremos chegar ou do que realmente somos capazes, devemos desnudar nossa identidade e descobrir quem somos conhecendo cada parte que nos integra.

Independentemente do fato de parecer triste uma visita a um campo de concentração, posso dizer que não foi só isso que me levou a Polônia ou somente isso que visitei. Fiquei alguns dias na Cracóvia , não não é aquele país que morava o Tom Hanks em "O Terminal", visitei Cracopane, as Highlands, região de esqui no inverno e a imperdível mina de sal que possui em seu interior uma igreja belíssima onde a nata da sociedade da Polônia realiza muitos casamentos.

Alguns podem achar estranho este meu útlimo comentário sobre casamentos católicos, mas resta-me dizer que como os Judeus foram exterminados durante a guerra, existe hoje, uma predominância católica no País. Isso, obviamente não me impediu de visitar o Bairro Judeu e andar por varias locações onde foi filmado  "A Lista de Schindler".

A este ponto, é óbvio, já deve ter ficado claro que sou Judeu. Todos os filhos de mãe judia são, pelas leis judaicas, judeus e disso me orgulho muito. Visitar a Polônia foi para mim um divisor de águas em minha vida e entendo que isso certamente não foi obra do acaso.

Sai da Líbia, local onde trabalhei por mais de 2 anos, após ter basicamente definido que meu ciclo por lá havia terminado. Em uma conversa com meu líder havia ficado claro que minha missão como Gerente de TI estava concluída. Havia organizado a área, tinha uma equipe competente e coesa e acima de tudo tinha formado um substituto para meu posto, que como o tempo veio a comprovar, demonstrou ser uma pessoa talentosa, competente e brilhante.

Havia ficado acertado que após minha viagem de descanso , chama-se Home Leave, faria a transição e a partir daí buscaria um novo desafio, muito provavelmente na América Latina. Antes de viajar, entretatnto, fiz uma provocação ao meu líder questionando o fato de que eu, tendo a versatilidade de possuir múltiplas formações, ainda poderia contribuir no projeto e consequentente para a empresa. Meu líder ficou de pensar no tema e responder na minha volta.

Tinha como certo, confesso, que isso não iria ocorrer. Não por nenhum problema de estima, longe disso, mas porque achei que numa decisão mais conservadora, meu líder optaria por alguém mais experiente para a função que me candidatei, ou seja, Gerente Administrativo.

Devido a esta decisão, de ir para outro programa, acelerei minha ida a Polônia. Por uma questão histórica, após visitar a Alemanha, Hungria, Áustria e Rússia, não visitar a Polônia seria para mim um sacrilégio. Agendei a viagem e sem muitos planos decidi ir a Crcóvia e não a Varsóvia.

Após chegar de um passeio, não me lembro agora, se a Cracopane ou a Auschwitz, resolvi dar uma parada no hotel para descansar e verificar meus emails. Tinha, aliás ainda tenho, o hábito de religiosamente gastar 1 hora lendo meus emails durante as viagens. Evita surpresas, acreditem.

Para minha surpresa numa delas havia a mensagem do meu líder dizendo: "MM, mande seus contatos ou me ligue que preciso falar com você". Confesso que imaginei que se tratasse de algum problema e ele pediria que eu voltasse mais cedo. No ano anterior, quando estive na Rússia quase tive de voltar e fiquei trabalhando 24 hrs no hotel para meu antigo líder.

Sem querer demorar, liguei eu mesmo para ele. Ao atender travamos a seguinte e breve conversa:

Dimas : E aí MM, tudo bem?  Ta curtindo as férias?
MM    : Sim, estou. Aconteceu alguma coisa, precisa que eu volte?
Dimas: Não tá tudo bem, só queria te perguntar se você está motivado, está?
MM    : Sempre,  Por quê?
Dimas: Porque então descansa bastate e se prepara que quando você voltar, você vai ter muito trabalho como Gerente Administrativo.
MM   : Obrigado pela confiaça, vou aproveitar sim, até a volta
Dimas: Abraços.

Não preciso dizer que além da surpresa da novidade, veio em minha mente cada um de meus antepassados, especialmente meus avós. Aquilo era um sinal, um presente, uma resposta. Minha ida a Polônia estava mais do que justificada, mais do que descobrir minhas origens coube ao meus antepassados apontar qual direção a seguir.

Acredito que cada um de nós faz o seu prórpio destino, mas algumas vezes o universo também conspira a nosso favor.

Ainda assim, fica a dica, conheça suas origens, seus alicerces, conheça tudo aquilo que te defina.

sábado, 24 de setembro de 2011

Mulheres que o quê ? - Releitura

"
Melvin Udall: Oh God, this is like a nightmare.
Receptionist: Oh come on! Just a couple of questions. How hard is that?
Receptionist: How do you write women so well?
Melvin Udall: I think of a man, and I take away reason and accountability. "

Às vezes ocorre de estarmos sem criatividade e imaginação e, como sempre, o destino nos brinda com presentes que se percebidos com a lente certa, nos proporciona a oportunidade de dissertar sobre temas polêmicos que, no entanto, são relevantes.

Como venho repetindo há alguns posts acompanho o Blog de minha amiga Bárbara Teles. Esta semana ela publicou mais um texto e desta vez, envolvido pela polêmica do assunto, pedi autorização a ela para fazer uma releitura dando uma ótica masculina para um tema que, no mundo de hoje, seja numa sociedade ocidental ou não, carece atenção. 

O post, recomendo que leiam, chama-se Mulheres que o quê? e trata do papel da mulher na sociedade de hoje, a evolução deste papel ao longo do tempo e quais efeitos diretos e colaterais esta mudança de cenário nos trouxe.

Longe de ter a presunção de escrever um texto igual ou superior ao dela, pretendo dissertar sobre minha visão sobre o tema. Há muitos anos, já vejo esta nova dinâmica do papel da mulher em nossa sociedade e as questões e preocupações levantadas sempre me levaram a refletir, de forma que acho interessante partir de um mulher certas colocações contidas no texto.

Antes de mais nada, a idéia do texto que hoje escrevo, baseia-se num filme que assisti recentemente que é bem antigo mas eu adoro. O filme chama-se : Ela disse, Ele disse. Conta a história de dois jornalistas que na disputa por uma coluna de um famoso jornal, acabam por dividi-la, cada qual colocando sua opinião e ponto de vista. Dito isto vamos lá.

Antes que minhas amigas e leitoras briguem comigo, a citação acima é do filme Melhor Impossível ( As good as it gets) e serve tão-somente como uma provocação e não uma opinião da qual compartilhe. Se não fosse assim, não haveria razão em me interessar em explorar o tema de hoje, porque entenderia que não há nada a agregar.

Na verdade, acho e sempre achei as mulheres melhores que nós homens. São em regra, mas centradas, organizadas e temendo sofrer represálias, mais inteligentes. Além disso, tem a capacidade de criar filhos (crescidos ou não, hehehe) e ainda arrumar tempo para cuidar da casa. Vou mais além, resistem muito mais a dor, tem instinto aguçado de proteção e uma capacidade de amar incondicional.

Isso não quer dizer que sejam perfeitas, claro que não, fosse assim nem precisariam de nós e certamente o mundo seria menos azul e a vida, pelo menos a minha, mais triste. Neste ponto, de não serem perfeitas, é que reside o mote do conflito entre a modernização do papel da mulher em nossa sociedade.

Primeiro, um conselho: Não entrem nesta competição com os homens, sinceramente é uma tolice porque está claro que, tirando uma cobrança social, não somos realmente páreos para vocês. Dado o conselho, me resta dizer que exatamente a ausência de um senso puro e matématico é que torna tão brilhante e instigante cada mulher.

Esta abertura e liberalismo social, levaram a mulher a largar um pouco o lado do que se via na época dos nossos pais e criou um exército de executivas competentes, brilhantes, mas muitas vezes (nem sempre, nem todas) sem brilho. Por outro lado, como efeito colateral, surgiram aquelas que saudosas do tempo em que os homens viam as mulheres como bibelos, desejam o melhor dos dois mundos, serem paparicadas e ao mesmo tempo completamente independentes.

Veja, creio que todo mundo quer o melhor dos mundos, mas neste caso ter o melhor dos dois mundos, para mulher, é relativamente utópico e muitas vezes inviável. Recentemente vivi uma experiência interessante com uma mulher que teve exatamente esse comportamento paradoxal. Pediu que deixasse que pagasse uma conta em um restaurante  para, tempos depois, discursar para suas amigas que teve que pagar a conta, tal a falta de cavalheirismo de minha parte.

Bom, nem vou entrar no mérito da exposição indevida e equivocada sobre minha pessoa, posto que quem me conhece sabe qual minha postura e comportamento, para me fixar no que é mais relevante neste exemplo, ou seja, o conflito entre ser independente, provar que pode "pagar as contas" e a expectativa oscilante ( muitas vezes)  do cavalheirismo. Vou avisando de antemão que não somos videntes, nem adivinhos, logo se quer algo diferente do que disseram, nos informem claramente.

Longe de querer ter ou dar uma resposta, não tenho esta pretensão, o que gostaria de dizer é que todos nós, homens e mulheres, devemos é nos desarmar um pouco. Vendo o filme "Hitch",  uma comédia romântica com Will Smith, tenho de concordar que o papel do seu personagem, um conselheiro amoroso, somente existe porque as pessoas estão cada vez mais individualistas e na defensiva, privando-se de viver na plena essência, com tudo de bom e às vezes não tão bom que a vida nos reserva.

E como não tenho respostas, faço somente uma proposta....... Vamos nos permitir.....

"Eu vejo um novo 
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...


Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...
"  Lulu Santos - Tempos Modernos