domingo, 11 de setembro de 2011

Cidadão do Mundo

 
"
O seu laço é de corte,
mas não aparta briga
A vida é quem escolhe quem
vai pra dividida
....
No buraco de silêncio
que precede o esporro
Àquele que o tempo e a hora
e a hora é mundo em que
todo mundo é morro
" Pára Pegador - O Rappa

Conforme mencionei uns post atrás, tenho uma querida amiga e blogueira que direta ou indiretamente foi para mim a motivação para eu começar a escrever o meu. Talvez ela não se lembre, mas estou certo que sim, que no seu último dia de trabalho em minha equipe ela foi até minha sala e me presenteou com uma carta. 

Timidamente ela me pediu que esperasse que ela partisse para que eu lesse a carta e apesar de toda curiosidade em ler respeitei seu último desejo. Ao abrir a carta, no fim do dia de trabalho, não posso negar que fiquei emocionado bem como surpreso pelo conteúdo e o texto de despedida. Ao ler, pude reforçar o preceito de que muitas vezes influenciamos a vida das pessoas sem saber e que isso modifica não só a forma de ver seu papel no mundo, como também seu compromisso que mesmo de forma velada você assume.

Dentre o conjunto de coisas, pessoas e histórias que deixamos na Líbia no dia 24 de fevereiro, uma delas foi esta carta. Parece-me que minhas coisas devem retornar ao Brasil e espero que entre elas, esta carta. Há coisas que o dinheiro não compra ( para as outras temos Mastercard....hehhe).

Toda esta introdução é para tratar do tema do post de hoje. Esta minha amiga mencionou em um de nossos chats no MSN que eu nunca abordei meu retorno ao Brasil nos meus posts. Creio que há uma uma imprecisão nesta afirmação, mas não deixa de ser verdade que, em parte, nunca tratei deste tema de forma isolada. E este é o mote do texto abaixo.

Minha volta ao Brasil ocorreu no dia 16 de abril. Voltei em razão de uma celebração da união dos meus pais e fazendo uma surpresa, ao invés de visitar algumas cidades de Portugal, cheguei ao Rio de Janeiro para jantar com eles. Ouvi muitos relatos de outros amigos de que a volta e a adaptação após anos no exterior é muito difícil e mais do que isso complicada.

Odeio frustrar as expectativas mas a volta e a adaptação para mim foram instântaneas. Hoje 4 meses como morador de São Paulo - Capital ( não vou escrever Sampa a pedido de um amigo corintiano, o Queixada..) posso dizer que estou plenamente adaptado. Cheguei a conclusão que me adapto em qualquer lugar do mundo e apesar dos laços fortes com família e amigos, não sinto a menor dificuldade em me adaptar e ajustar a realidade do local onde estou.

Queria também fazer um ajuste num registro histórico. Muitos amigos meus, afirmam e ainda pensam que minha volta especificamente ao Brasil deve-se ao fato de eu estar num momento de reconstruir minha vida pessoal que estava em "PAUSE" desde 21 de outubro de 2008. Este pensamento é completamente equivocado. 

Amo meu País, adoro o desafio que me foi proposto profissionalmente e estou certo de que será proveitoso e engrandecedor, mas minha volta é um sinal de gratidão e confiança em uma pessoa que sempre me estendeu a mão e apostou e visualizou minhas capacidades e dizer não, nestas circunstâncias,  é de acordo com meus valores, impossivel.

Eu sinto, não me pergunte como, que meu ciclo no exterior não terminou, este sim está em "PAUSE". Como minha vida sempre me levou para coisas boas, estou certo que inevitavelmente estarei viajando para novos lugares, conhecendo novas culturas e enriquecimendo minha vida através de imagens, sentimentos e novas sensações.

Assim, conclui que sou um cidadão do mundo, minha casa é onde estou no momento e por ter a felicidade de ter amigos em cada lugar por onde passei tenho sempre um lugar para ficar. Aprendi, entre outras coisas, a me alimentar de tudo de bom que esta ao meu redor tendo a certeza que minha casa, minha verdadeira casa, sempre estará a minha espera aqui no Brasil.

Minha vida pessoal, se quiserem saber, está bem obrigado. Cheguei a conclusão que a vida pessoal se resolve na medida e tempo certos e que isso não tem correlação de onde você está e sim do momento em que se vive. Mas talvez, tivesse que mudar meu contexto para realizar isso. Estar ou não em um grande centro não mudou em nada nem meus desejos nem sequer a minha busca.

Minha busca, não é de alguém, minha busca é de estar sempre feliz e vivendo de acordo com aquilo que me realize. Tudo mais que puder agregar ao longo do caminho será somente mais um motivo de alegria.

"
Eu não sou audiência
para a solidão
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo
E todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo
E todo mundo é meu também
" Já sei namorar - Os Tribalhistas

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Melhor é impossível


Se há uma coisa que eu adoro e aprendi a apreciar é vinho. Ao longo dos meses em que morei em um apart hotel no Rio de Janeiro entre o trajeto de minha residência e o metro tinha (na verdade ainda tem) uma excelente delicatessen na Cobal.

Estando recém-separado e morando, portanto, sozinho acabei ficando amigo dos donos do lugar e todas as noites passava por lá, onde degustavamos os mais diversos tipos de vinhos ofertados por eles e como retribuição habitualmente eu comprava iscas de bacalhau, um grana padano ou muitas vezes um presunto de parma para acompanhar.

Isso me traz à tona uma palavra básica: Harmonização. Sim, tudo na vida requer Harmonia, seja uma garrafa de vinho com seu acompanhamento adequado, seja numa relação de respeito que deva existir entre as pessoas. Minha amizade com os donos é tão grande que mesmo estando ausente do País muitos anos, eles sempre perguntavam por mim e queriam saber quando estaria no Rio para botarmos o papo em dia.

Estando agora em Sampa, meu gosto por vinhos não diminuiu, pelo contrário aumentou. Aqui temos locais muito interessantes onde a proposta é você, mesmo sendo um leigo, poder degustar um conjunto distinto deles sem com isso ter que comprar várias garrafas. A sua maneira, consigo reproduzir aqui o mesmo hábito que criei quando morava no Rio, ou seja, degustar diversos vinhos e compartilhar com pessoas queridas sem apego a formalismos. 

Desta forma, recomendo a todos que quando vierem a Sampa, visitem o Empório Santa Maria, onde se pode degustar excelentes vinhos, com maravilhos queijos e embutidos e até se você for fã de mistura, apreciar uma comida japonesa. Tudo isso em um clima agradável, informal, descontraído e de bom gosto.

Se você for exigente serei mais detalhista e, ao invés de falar de uma simples degustação, vou propor uma viagem sensorial que é visitar uma vinícula. Que os vinhos nacionais me perdoem, mesmo sabendo que gosto não se discute, mas o local indicado para fazer isso para mim hoje é em Mendoza na Argentina. Gosto muito dos vinhos argentinos e os meus preferidos cujas vinículas recomendo visitar são a Luigi Bosca e Catena Zapata.

Outra coisa muito boa em São Paulo são as pizzas, tanto é que o universo de pizzarias que temos é tão grande que uma das mais famosas o "BRAZ" já possui filial no Rio de Janeiro, Tem também uma  sensacional aqui em Sampa na Vila Madalena, que se chama Santa Pizza. Lá, além das deliciosas pizzas pode-se comprar todos os objetos em exposição desde mesas, cadeiras e decorações da casa. Uma verdadeira mistura de um Antiquário e restaurante.

Da última vez que fui, uma grande amigo meu me levou lá com a família. Foi, sem dúvida, uma noite extremamente agradável e regada ao bom vinho provamos alguns diferentes tipos de pizza (o local tem sabores menos tradicionais) envoltos por uma decoração inusitada mas não menos interessante.

Neste dia, como ainda era visita nesta cidade, eles insistiram que eu era convidado deles e com isso pagaram a conta toda. Aceitei na condição de que retribuiria, em breve, não só o convite como também a gentileza.

Acredito que a companhia faz o lugar, mas estar com pessoas queridas e celebrar a oportunidade de compartilhar a alegria de dividir o momento, degustando um bom vinho com uma deliciosa pizza e dando boas gargalhadas.....

Melhor é impossível.

domingo, 28 de agosto de 2011

Quanto tempo leva?

"
We let it in
We give it out
And in the end
What's it all about?
It must be love

I give you my
I give you my
You give me your
You give me your joy


 ...

And whatever happens
What really matters?
It's all we've got
Isn't that enough?
"And So is Love - Kate Bush

Não preciso dizer o quanto eu adoro a Kate Bush. Recentemente ela lançou um CD , "Director's Cut" onde ela fez releituras de canções dos CD The Sensual World e The Red Shoes e posso dizer que em várias canções as mudanças foram interessantes, dando nova roupagem, demonstrando que podemos sempre de uma idéia aprimorá-la, para torná-la ainda melhor.

Este fim de semana, foi daqueles bem cultural e ao mesmo tempo atípico. Fui ao show de Julieta Venegas e Marisa Monte, assisti o Balé Kirov interpretando o Lago dos Cisnes e fui numa balada chamada The Clash da qual cheguei em casa as 08:00. Mas não foi só isso, cada parte destes eventos foi permeada pelas mais diversas formas de surpresas.

Na sexta, quando fui assistir Julieta, no show que antecipava sua apresentação, um grupo de salsa cubana muito legal tocou com Carlinhos Brown. Bom, não sou nenhum fã de Carlinhos mas estava tirando fotos do palco dos cantores e o lugar estava com uma energia muito boa, eis que quando tirava uma foto com meu iphone, uma bola gigante (daquelas que as pessoas ficam socando nos shows) bate bem no meu celular. Nem preciso dizer que o visor ficou estilhaçado após rolar pelo chão em meio a multidão. Nada que pudesse tirar meu bom humor porque pensei: "Amanhã, conserto isso e resolvo o problema". Sábia decisão, fiz isso mesmo e não deixei um pequeno contratempo acabar com meu programa.

No sábado após um agradável almoço com um grande amigo em uma galeteria famosa aqui de Sampa, me preparei para ir ao Municipal assistir o Ballet Kirov. Engraçado como a vida me permitiu um enriquecimento cultural imenso, verdadeiro ativo, nestes últimos anos. Tive o privilégio de assitir a esta companhia em São Petesburgo, Rússia em 2009. Fui ao famoso Teatro Mariinsky onde assisti o Ballet Corsário e a Ópera La Traviata. Não preciso dizer que é uma experiência única e poder assisti-los aqui no Brasil interpretando "O Lago dos Cisnes" , foi maravilhoso.

Mas como nem tudo é perfeito, lá fui eu sair de carro para o teatro. Antes de explanar vai uma dica, se for ao municipal vai de táxi. Mas como sou teimoso fui de carro e botei o endereço do teatro no GPS ( não sou de Sampa, logo ainda dependo muito deste aparato). Após 25 minutos descubro que o GPS tá me levando para o lugar errado e faltando 30 min para começar o teatro, decido que é melhor parar , pedir um táxi que me guiasse até o teatro e pronto. São estes minutos que definem a vida de um homem.....Por que não fui esperto, parei o carro num shopping (estava colado no Eldorado) e fui de táxi? 
Bem, claro que cheguei em cima da hora e não havia lugar em nenhum estacionamento para parar. Parei na Rua mesmo, mas o receio de levar uma multa, rebocarem meu carro ou pior, roubassem, atrapalhou o que poderia ser uma noite mais tranquila e agradável. Não sei se levei a multa ou não, mas pelo menos meu carro estava lá a salvo. Lição aprendida, NUNCA mais faço isso.

Se você leu este post até agora, deve estar se perguntando o que a citação de hoje e o poema , escrito por mim em 2005, estão fazendo neste contexto? Calma, calma, eu abro muitos parenteses mas sempre fecho um por um e logo, logo tudo fará sentido.
Achei que iria para casa depois do teatro e dormiria cedo para continuar meu treinamento de condicionamento físico, mas não foi isso que aconteceu. Acabou que eu fui encontrar com amigos e ficamos na Rua ate as 08:00 da manhã como falei. Rodei a cidade de São Paulo e esta atividade me permitiu uma longa conversa sobre relacionamentos e a conclusão de que muitas vezes carregamos um saco de tijolos nas costas que impede de seguirmos em frente com a vida. Calma, calma, não estava falando de mim, mas escutando as histórias de longos relacionamentos que ainda afetam a dinâmica da vida de muitas pessoas.

E ai me veio a idéia, isso mesmo de madrugada, dentro de uma balada, em Sampa, ouvindo musica eletrônica, de escrever este post e revisitar a pergunta que eu mesmo me fiz em 2005, Quanto tempo leva?
Interessante que esta frase/pergunta permite várias interpretações e análises porque dependendo do contexto podemos estar falando do tempo para se esquecer uma pessoa, se libertar das mágoas e recomeçar ou do tempo que levará para a pessoa amada voltar para você. O poema na época falava da expectativa do reencontro porque estava longe e ansioso por voltar para casa. Seja como for, esta uma pergunta de difícil resposta porque não temos, como já mencionei em outro post, um botão de ON/OFF no coração que nos faça tanto esquecer como se apaixonar.

O tempo para se recomeçar deve ser tal que todas cicatrizes estejam curadas e que se restabeleça para sorrir novamente para o mundo. Mas cada um tem seu tempo, não tem certo nem errado, nem também fórmula mágica ou pó de pirlimpimpim (essa é velha, é do tempo do Sítio do Pica Pau Amarelo) que resolva esta equação e muito menos eu pretendo aqui apontar uma resposta ou direção. 

Mas enquanto isso vamos, divagando, rimando e seguindo em frente. Até o próximo post.


Quanto tempo leva ?

Quanto tempo leva?
Para saber o que se sente
Enxugar lágrimas
E apagar mágoas.

Quanto tempo leva?
Para restaurar um sorriso
O brilho nos olhos
E o encanto que existe nas pequenas coisas.

Quanto tempo leva?
Para merecer um beijo
O calor de um abraço
Carinhos que façam o coração disparar.

Quanto tempo leva?
Para dizer em silêncio
O que não se expressa em mil versos ou palavras.
Que trará de volta o que está tão perto
E agora mesmo tão afastado.

Quanto tempo leva?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O perfume das Rosas

"
Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
" As Rosas não falam - Cartola

Aprendi a gostar de Cartola com meu pai. E inevitavelmente Cartola esteve sempre em minha vida, tanto que na minha prova de vestibular para engenharia para a UFRJ, interpretar a canção "O Mundo é um Moinho" era uma das partes da prova de Português e seja como for suas canções se perpetuam na voz dos mais diversos cantores brasileiros, tornando-o imortal.

Uma amiga minha que tem um blog que eu sigo e admiro, escreveu no seu último post uma citação que menciona que escrever é facil, vou mais longe e digo que como o papel aceita qualquer coisa não é só fácil como simples. Escrever com conteúdo e traduzindo emoções é que é o verdadeiro desafio.

A imagem que compõe o post de hoje tem um truque que se observado com olhar clínico guarda uma surpresa. Fuçando minhas fotos soltas que tenho no meu HD externo, me deparei com essa que tem uma pertinência perfeita com o tema de hoje. Estava com a música na cabeça e comecei a matutar como criar um post que pudesse explorar o tema Rosas.

Este assunto parece simples, mas não é. Não sei se estou ficando velho ou se a dinâmica do mundo mudou, mas tenho ouvido de algumas mulheres que elas preferem não receber flores. Indo mais longe, e acho até pior, escutei recentemente de uma que sabendo que gosto de presentear com flores, caso ganhasse-as de mim, talvez não desse a devida importância. Estas referências se enquadram perfeitamente no título do meu Blog: A ilógica Lógica da Vida....

Outro fato interesante sobre rosas é que há muitos anos, consultando uma playboy de minha antiga coleção (viram, Playboy também é cultura) , descobri um procedimento sobre como presentear uma mulher com Rosas. Você deve sempre dar em número impar, porque a Rosa que falta para completar o buquê é o exatamente o seu objeto de desejo. 11 rosas se quiser ser polido, 17 se quiser ser galante e 35 rosas vermelhas se quiser demonstrar que está apaixonado...Ufa !!!! agradar uma mulher é bem mais complicado do que se parece...

Isso tudo que mencionei se você não começar a entrar em outra variante que são as cores das flores (Hoje, já existem muitas possibilidades) e se as Rosas são nacionais ou as famosas Colombianas. Seja como for não vejo como ganhar flores, sejam rosas sejam flores do campo não se torne uma experiência sensorial.

Ah !!! E o tal argumento de que flores morrem? Que imensa bobagem, tudo na vida uma hora se extingue , exaure.... O mais importante é a intensidade com que se vive aproveitando o perfume e o frescor de cada Rosa...

"
Cause A rose is still a rose
baby girl your still a flower
" A Rose still a Rose - Aretha Franklin

domingo, 21 de agosto de 2011

An Offer You can't refuse


 " 
 - Os italianos - prosseguiu Hagen - têm uma piada sobre o fato 
de que o mundo é tão duro que um homem precisa ter dois pais 
para cuidar dele, e esse é o motivo 
por que eles têm padrinhos." Tom Hagen - The Godfather

No dia dos pais, semana passada, quem recebeu o verdadeiro presente fui eu. Fui ao Rio de Janeiro para estar com minha família e mais especialmente meu pai. Tenho uma amiga de infância, Lílian, que está na minha vida há tantos anos que nem o tempo nem a distância pode nos afastar e creio que é uma daquelas amizades que duram a vida inteira.

Estava na Cobal, em Botafogo, comprando coisas para minha casa nova quando o telefone toca e do outro lado vem a grande surpresa proporcionada por minha amiga e agora cumadre Lílian: "Ia fazer este convite quando nos encontrassemos, mas como sei que anda difícil, gostaria que você fosse padrinho do meu filho Gabriel."

Não sei como descrever a emoção com  o convite. Sendo eu um fã incondicional do Livro "O Poderoso Chefão" , a citação de Hagen veio imediatamente a minha mente. A vida é tão dura que todo homem necessita de dois pais e de agora em diante tenho a responsabilidade e privilégio de ser o padrinho e assumo, portanto,  esta tarefa.

O pequeno Gabriel, este que esta na foto que compõe o post de hoje, é um sopro de esperança num mundo repleto de individualismo, competição e egoísmo. Ao olhar nos seu olhos, perceber seu sorriso constante, podemos ver como ele é amado e querido pelos seus pais. Seu padrinho, foi igualmente  arrebatado por esta energia positiva e está contagiado por este sentimento de paz e equilíbrio oriundo pela pureza de um ser que somente podemos definir como uma obra divina.

Durante o período que estive fora do País, sempre tive hábito de comprar presentes para os filhos de todos os meus amigos mais próximos, acho que isto, numa interpretação psicológica, remete-me ao processo de transferência posto que ainda não tenho filhos. Agora, como padrinho, além de ter uma razão a mais de ir com frequência ao Rio de Janeiro, posso encher meu afilhado de mimos e presentes, até que possa começar a ter este mesmo cuidado com os meus.

A vida realmente nos reserva gratas surpresas e explica o porquê de certas decisões que tomamos e que com o tempo se mostram acertadas e se justificam. Voltei ai Brasil, no desejo de após anos sublimando meu lado pessoal (afetivo, mais precisamente), retomar esta parte de minha vida que é tão importante como as demais em que investi e que também me trouxeram imensa alegria e satisfação.

Sabia que este processo é lento e complicado porque o reencontro com sentimentos como Amor e Paixão são, no mundo de hoje, tarefa árdua e difícil. Desta forma a idéia de ser pai não me parecia tarefa simples, porque envolve encontrar alguém, o relacionamento funcionar e ambos estarem aptos para assumir a responsabilidade de que se trazer uma nova vida a este mundo envolve muito sacrifício e doação.

E eis que a vida se simplifica e o pequeno Gabriel justifica e dá razão a minha escolha de voltar neste momento Meu doce e querido afilhado, seu padrinho lhe agradece pelo sinal que Deus me deu através de você.

Definição de Gabriel
"É conhecido como o chefe dos quatro anjos favorecidos, e o espírito da verdade, e em certas crenças seria uma personificação do Espírito Santo"

Além disso, o pequeno Gabriel é geminiano como eu, tendo nascido uma semana antes do meu anivérsário e não poderia ter ganho melhor presente. Tá certo, ele é tricolor e não flamenguista como o padrinho, mas afinal de contas, ninguém é perfeito...

Obrigado Lílian e André, pela amizade, carinho e confiança. Espero ser digno de tamanha responsabilidade e tarefa.

O nascimento de uma alma
é coisa demorada
não é partido ou jazz
em que se improvise


Não é casa moldada
laje que suba fácil
a natureza da gente
não tem disse me disse
" Papo de surdo e Mudo - O Rappa

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A telemensagem


Houve um tempo no ano de 2000 em que diversas formas de comunicação na Web ganharam vulto e com isso as pessoas descobriram uma nova forma de se comunicar e porque não dizer se conhecer.

Sei que muito se fala que as pessoas estão perdendo aos poucos a capacidade de se relacionar, escondidas através do MSN. Skype, Orkut, Facebook, na verdade,   qualquer ferramenta hoje existente. Afirmam que por ser um meio seguro de comunicação, as pessoas se protegem de seus próprios medos e inseguranças, podem por algum tempo ser a pessoa que sonham ser e não aquela com a qual convivem normalmente no plano real.

Eu, por outro lado, penso que se você usar corretamente estes canais de comunicação, ao invés de você criar uma barreira que te protege do mundo real, você cria uma maneira de estreitar distância e permitir a comunicação em tempo real com gente do outro lado do mundo em questões de segundos.

Mas em 2000, de onde surge meu post de hoje, eu estava começando a usar um novo canal de comunicação que era moda na época: O bate papo do site da UOL. Esta verdadeira febre ocupava horas de nossos dias e noites buscando nas salas de Chat, aquela pessoa maravilhosa que escondidas através de um nickname poderia ser a resposta para suas preces.

Estando solteiro, pensei que não faria mal algum conhecer algumas pessoas e sabe-se lá, até uma namorada, por que não? Bem, um belo dia marquei um encontro num shopping de Niterói com uma destas meninas que havia conversado um dia.

Tinha um acordo com um amigo meu que após 15 minutos que chegasse no local ele me ligasse e se a menina não correspondesse àquela descrição da Net ( o que ocorreu 99.99% das vezes) , eu dizia que tinha surgido uma emergência no trabalho e ia embora. Confesso que não é a coisa mais nobre a se fazer, mas muitas vezes era a única alternativa.

Pois bem, cheguei com meu amigo no shopping um pouco antes e fiquei na espreita vendo se a menina chegava para o encontro. Ela havia se descrito como uma morena jambo,  cabelos e olhos castanhos e como fazia medicina viria toda de branco. Além disso, afirmou ter o corpo plenamente torneado pelas horas que ficava na academia.

Estavamos esperando a chegada desta “deusa” , quase uma Grabriela cravo e canela para iniciar meu encontro. Parado mais a frente tal qual um embrulho enorme de bombom (ou um kinder ovo, se você preferir)  estava lá a menina. Respirei fundo, tive vontade de desistir da empreitada, mas como acho chato dar bolo em quem quer que seja, resolvi seguir em frente. Meu amigo, antes de partir, me deu um tapinha nas costas e em tom sarcástico falou : “Bem, é aqui que a gente se separa, boa sorte!”.

Encontrei com a menina, me apresentei e ela ficou encantada comigo. Sentamos num daqueles bancos de meio de corredor e eu esperando pelos 15 minutos combinados com meu amigo. Nunca na minha vida 15 minutos levaram tanto tempo para passar, principalmente porque a menina estava cheia de vontade de me beijar e eu estava imaginando uma maneira de evitar, de forma polida, de ter que dizer não.

Passados 15 minutos, nada do meu amigo ligar. Passam 20, 30 e nada dele dar sinal de vida. Até que de repente ele passa do meu lado, sorriso no canto do lábio, faz sinal de positivo e passa por mim indo em direção a praça de alimentação. Precisei de mais uns 15 minutos até que ele, depois de me torturar, só para pegar no meu pé, resolveu me ligar.

Ao dizer, a menina que tinha de ir embora pude notar seu ar de frustração pelo infortúnio que culminava no término de nosso encontro. Entretanto, antes de irmos embora, descobri onde era a academia onde ela malhava tanto para manter-se naquela forma, no BOB’s. Ela pediu o maior milk-shake de Ovolmaltine que tinha no lugar, pelo amor de Deus....

Bom, dias depois recebo o telefonema da menina para falar comigo e perguntar uma coisa que a estava incomodando. Eis o papo:

Kinder :  Oi tudo bem? Posso te perguntar uma coisa?
EU         : Claro que sim, diga, está tudo bem comigo.
Kinder : Você me achou feia?
EU         : Por que você acha uma coisa dessas?
Kinder : Sabe o que é, normalmente quando tem um primeiro encontro rola ao menos um beijinho.....E vc, sabe, nada....
EU    : Desculpe, é que eu sou meio conservador, de outra geração, acho importante conhecer  pessoa primeiro, antes de me sentir a vontade e beijá-la.

Bom, penso que se a gente acha alguém bonito a reação é espontânea e natural e mais do que isso, se você se questiona se a outra pessoa te acha ou não bonita, na verdade, você já tem a resposta......em todo caso, acho chato fazer comentários desagradáveis até porque gosto é uma coisa muito particular e o que uma pessoa acha bonito, outra pessoa pode não gostar.

Desta forma, achei que com aquele telefonema estava tudo encerrado, mas não, a vida não é assim tão fácil.....

Dia 29/05, recebo um telegrama fonado no trabalho. Música de fundo igual a de motel barato, voz de locutor de rádio, daqueles que fazem tradução de música em inglês.....quase uma declaração de amor..... Depois dessa, aboli encontros virtuais....

Tudo isso e olha que nem dei um beijo....

terça-feira, 12 de julho de 2011

Another brick in the wall



"
We don't need no education
We don't need no thought control

.....
All in
all you're just another brick in the wall
All in all you're just another brick in the wall" Another brick in he wall - Pink Floyd

Queria antes de mais nada me desculpar pela demora deste post e assim sendo tentarei escrever outro o mais breve possível para manter meu compromisso semanal.

Na semana anterior, abordei um tema que havia sido alvo de uma discussão inflamada entre amigos e a repercussão geral foi excelente. Amigos e pessoas que acompanham meu blog das mais diversas formas me externaram suas opiniões, o que mostra que o objetivo deste blog, que é fazer as pessoas refletirem, foi atingido. Fruto destas manifestações procurarei dar continuidade a linha adotada na semana passada.

A canção que é o título deste post foi um marco na minha adolescência e representava uma crítica a repressão a liberdade de expressão e pensamento. Mais do que isso, reafirmava que o tolir as pessoas ou pior do que isso criar rótulos, nada mais faz do que anular nossas individualidades, talentos e potencialidades.

E por que é tão importante e forte esta frase-título no mundo corporativo ? Vejo continuamente as corporações defendendo como regra que devemos apoiar a criatividade, o crescimento e desenvolvimento de seus integrantes como forma de gerar soluções e alternativas que permitam equacionar problemas do dia a dia fazendo o que chamamos "olhar fora da caixa".

Entretanto, na prática, em muitos casos o discurso não se reflete nas ações que vemos. Isso se deve, muito provavelmente, a uma variável comumente esquecida nos processos de liderança e gestão de pessoas que nada mais é que o poder controlador, muitas vezes gerado por medo e em outros casos simplesmente pela tentativa de impor sua forma de trabalhar e agir.

Como havia já explorado semana passada, nosso foco deve ser nas pessoas em seus talentos, em suas virtudes e mais do que isso em sua capacidade de criar. Todas as pessoas tem o que eu chamo de "porta de entrada", como se fosse um clique que as conecta ao seu trabalho e/ou negócio, exalando sua verdadeira capacidade. Isso surge, quando o laço de confiança, cumplicidade e respeito se estabelece.

Quando isso não ocorre, quando o orgão ou o ente no qual estamos trabalhando não permite que possamos nos desenvolver, criar, contribuir ou sentirmos desafiados, quando os lideres que estão conduzindo nossos escopos de trabalho querem nos enquadrar em um modelo padrão ou próprio de comportamento, anulamos o que é mais importante em qualquer relação, seja pessoal ou profissional, a capacidade de crescer pela troca de experiências e pelo exercício de influenciar e permitir ser influenciado.

Penso que a criatividade e a liberdade de expressão nos permite apresentar as mais brilhantes e inovadoras soluções e devemos como líderes  formar profissionais questionadores, que possam nos provocar e testar e permitir que geremos mudanças.

Um líder dever criar substitutos muito melhores do que eles mesmos, até porque este é o maior legado que deixamos,  ao invés de , por um ato de comodidade ou covardia, impedir o desenvolvimento de seus liderados.